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    Entrevista - Ferreira da Silva Campeão Nacional de Montanha 2001 

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Ferreira da Silva é um dos mais conhecidos pilotos do panorama nacional. Por um lado, leva uma carreira que já conta com 25 anos de actividade, por outro lado é um dos poucos pilotos que já passou por quase todas a modalidades existentes no nosso país. Foi piloto de velocidade, ralis, fez ainda uma breve passagem pelo TT e actualmente aponta os seus objectivos para a montanha, modalidade na qual foi o vencedor absoluto nos 3 últimos anos. Nesta entrevista o piloto SportMotores.com fala da sua carreira, faz o balanço da temporada de 2001, que terminou com mais um título absoluto entre os "trepadores" dos automóveis, e comenta ainda a actual situação do desporto automóvel, que na sua opinião, além de ser mal gerido por quem de direito, ainda sofre com a má gestão de que Portugal tem sido alvo. É mais uma voz que reconhece ser necessário mudar muita coisa para que o desproto automóvel Português não morra.

Foi no intervalo da uma das subidas de prova da última Rampa da sra. da Graça em Mondim de Basto que Ferreira da Silva deu esta entrevista ao SportMotores.com. Curiosamente, e numa altura em que já tinha o título assegurado, foi batido pelo seu colega da equipa Peres Competições - José Peres. Um resultado na derradeira prova que em nada tirou o brilho deste título conquistado antes do final do campeonato, um campeonato em que os objectivos foram cumpridos. "Cumprimos plenamente o objectivo traçado no início da época, eu e a Peres Competições, que era a reconquista do título nacional de montanha. Não há títulos fáceis e este teve o mesmo grau de dificuldade que o anterior. Tive grandes adversários, como por exemplo o José Peres, um campeão de Fórmula Ford que anda muito bem e se adapta a todas as circunstâncias de piso, tendo sido o ele o principal adversário."

Um título que a partir que foi vendo o número de interessados na sua conquista diminuir, facto que foi um pouco contra as expectativas de Ferreira da Silva. "Eu esperava mais oposição de alguns adversários. Por exemplo o António Nogueira no Audi. Penso que existem pilotos a desistir por facilidades de campeonato. O Carlos Rodrigues um grande adversário e foi pena ter desistido, mas pronto, partiu-se o motor e foi um azar que me poderia ter acontecido a mim. Tem sido um campeonato trabalhoso, como foi o ano passado com os Petizes, especialmente com o Jorge que é um piloto com um grande palmarés. Em todos os campeonatos há sempre 3 ou 4 pilotos que têm de ganhar, e eu sou um dos que tem ganho."

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Ferreira da Silva com o Ford Escort Cosworth que lhe permitiu conquistar mais um título absoluto no nacional de montanha.
Quanto à forma como o campeonato decorreu, Ferreira da Silva considera que teve de ser gerido de forma inteligente, apesar que as derrotas também acontecem. "Eu nos últimos 3 anos fui campeão de montanha, tenho 25 anos de automóveis e penso que entro nos campeonatos com alguma inteligência. Normalmente as 3 primeiras rampas quero-as ganhar, para depois dosear o andamento conforme a necessidade de resultados. Reconheço que perdi a rampa da Arrábida em parte por minha culpa, perdi a Rampa de Murça inteiramente por minha culpa, pois não quis arriscar e preferi assegurar pontuação. Depois fui para a Rampa da Serra da Estrela com o objectivo de arrumar a questão do título lá e ganhei.
O Ford Escort Cosworth é um carro que Ferreira da Silva Já conhece bem, pois correu em ralis e já leva 3 épocas de montanha. Trata-se de "um verdadeiro carro de competição, tem 400 cv e exige muita concentração. Mas eu estou bastante à vontade a guiar este carro pois já o conduzo à 5 anos". No entanto, Ferreira da Silva guarda muita mágoa pelo facto da Ford Lusitana nunca ter reconhecido os seus resultados e o seu trabalho. "Infelizmente a Peres Competições tem Ford, e esta é uma marca que me deixa muita mágoa. Corro com veículos Ford há 6 anos, já lhes dei 3 títulos contando com o deste ano e eles nunca se dignaram sequer mandar uma carta. Acho que não é uma atitude correcta para com um piloto que dá títulos a uma marca, mas pronto é a posição deles. O Ford é o carro que a Peres tem e é com ele que terei de correr no futuro."

Tendo corrido já em diversas disciplinas, Ferreira da Silva a ponta a sua preferência de forma indiscutível para os ralis "Quem lá anda sabe que não há nada que se compare à adrenalina que se sente dentro de uma classificativa, não há rails, e em muitas alturas não há nenhuma barreira que nos valha em caso de uma saída de estrada, mas nós os pilotos continuamos a passar a fundo." A montanha acaba por ser a solução possível. "Vim para a montanha porque não tenho possibilidade financeira de fazer ralis, pelo menos ao nível que eu gostaria. A montanha é uma pequena classificativa, e depois dá-me um gozo enorme conduzir este carro que é muito bem assistido pela Peres Competições.

Apesar de 25 anos de carreira, Ferreira da Silva não pretende parar e em 2002 a internacionalização é o objectivo. "Tudo aponta para que para o ano vá correr em Espanha. Tudo depende das negociações com a Peres Competições, em princípio farei o campeonato de Espanha ou o campeonato da Galiza. Cá possivelmente não correrei, a não ser que surgissem apoios que me permitissem fazer o campeonato de ralis que era o que eu gostaria de fazer."

Os apoios são uma das principais dificuldades que os pilotos encontram, agora e no passado, uma situação que Ferreira da Silva acredita não vir a melhorar no futuro por causa de uma série de factores. "Sinto uma tristeza absoluta o ver o que se passa no desporto automóvel nacional. Por um lado a governação do país não tem sido nada positiva o que prejudica a economia consequentemente o desporto automóvel. O pais é mal gerido e a crise a que assistimos é motivada por má governação, o nosso governo ainda teve a sorte de acontecer a infelicidade que aconteceu em 11 de setembro o que acaba por disfarçar um pouco a sua má governação. Se isto continuar assim não é só o deporto automóvel que acaba, acaba tudo neste país."
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Ferreira da Silva marcou dupla presença no Nacional de Montanha, pois também alinhou com este Mitsubishi Lancer Ev. V de grupo N.
A gestão do desporto de forma genérica em Portugal, também não é isenta de críticas."Também o desporto é mal gerido, já que neste país só se pensa em futebol. Não tenho nada contra o futebol, até porque sou adepto do Porto e "torço" pelo meu clube, não estou contra o futebol, estou é contra o desequilíbrio que se assiste na distribuição de apoios, pois quase tudo é canalizado para o futebol."

Quanto ao estado do desporto automóvel, Ferreira da Silva acredita ser necessário fazer algo urgentemente, até por alguém mais forte que a FPAK. Afinal estamos a terminar um ano que foi muito duro para a modalidade. "Acabou a Rampa da Falperra por 12 mil contos, acabou o Rali TAP por falta de postura política, acabou Vila do Conde. Eu só pergunto ao Dr. José Lello se ele tem a noção daquilo para o que anda a contribuir. Será que ele só gosta de futebol e não quer saber dos outros desportos? Se ele um dia quisesse andar comigo, eu teria muito prazer em levá-lo no meu carro para ele ver o que nós pilotos sentimos a competir, além de lhe mostrar o que eu e todos os pilotos Portugueses lutamos para competir. É só futebol e mais futebol, ou então golfe, onde os nossos políticos se reúnem para consertar estratégias sobre a melhor forma de gastar o dinheiro dos contribuintes. Quanto à FPAK... acho que nem temos Federação!"

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