logo_spormotores.gif (5045 bytes)   

    Entrevista - Jorge Petiz e o balanço da S. Conrado  

06062001_JPetiz_Corpo.JPG (19027 bytes)

O nome "Petiz" faz parte das listas de inscritos e do topo das classsificações do nacional de velocidade há muitos anos, graças aos irmãos Alcides e Jorge, que durante mais de duas décadas percorreram as rampas e circuitos Portugueses somando vitórias e títulos . Em 2000 Jorge Petiz anunciou que se iria retirar das competições, não participando em nenhum campeonato e optando por algumas participações esporádicas apenas por divertimento. No entanto, por trás destes nomes está uma estrutura que vem marcando presença no panorama automobilístico Português há muitos anos: A S. Conrado. Com "baterias apontadas" para a velocidadem, esta equipa está também no karting porque a nova geração Petiz está a dar os primeiros passos.
Após as férias, a S. Conrado fez um balanço sobre a forma como decorreu até agora a sua época, numa altura em que se prepara para enfrentar as últimas provas da temporada. Envolvida em várias frentes, a equipa cujos patrocinadores principais são a Gant e o BPN, aposta sobretudo no futuro, como diz Jorge Petiz: "Nesta altura, a minha carreira e a do meu irmão Alcides está já numa fase final, temos que o reconhecer. Eu próprio já assumi que não farei mais campeonatos e apenas aparecerei aqui ou ali, conforme me der prazer conduzir este ou aquele carro em determinadas ocasiões", esclarece, adiantando que "o que mais me custou este ano foi despedir-me de Vila do Conde, que foi o circuito em que comecei e onde tive algumas das minhas maiores alegrias no desporto automóvel. Foi lá que ganhei a primeira corrida, precisamente na primeira vez que pilotei um carro em competição. Foi com um BMW 2002, há 24 anos. Desde aí, nunca mais parei de competir".

Vila do Conde tinha encanto, segundo Jorge Petiz o Estrela e Vigorosa Sport trabalhou muito para que Vila do Conde fosse aquilo que foi, o sucesso deveu-se "sobretudo à capacidade organizativa do clube que soube sempre promovê-la muita bem e criar espectáculo para as pessoas que pagam um bilhete. Criou, nomeadamente, condições para que as pessoas pudessem assistir às corridas perto da pista, sentadas e em segurança, o que não acontece em todos os circuitos. Infelizmente, a Federação não segue os bons exemplos que temos nesta matéria e nem se pode dizer que seja uma entidade promotora porque, pura e simplesmente, não promove. De facto, há que dar mérito ao êxito alcançado pelo Vigorosa Sport."

26092001_JPetiz_Porsche.JPG (36942 bytes)
Jorge Petiz no último Vila do Conde com o Porsche 911 RSR
Alegando "algum cansaço" mas também mostrando-se crítico em relação à forma como a velocidade evoluiu em Portugal, Jorge Petiz não hesita em apontar o dedo à Federação: "A Federação nunca soube promover o automobilismo nacional e, dados os erros que foram sendo cometidos, qualquer observador atento apenas poderia concluir que os seus dirigentes nada mais querem do que acabar com o automobilismo de velocidade em Portugal. É claro que a mim me custa, como homem dos automóveis, a admitir tal hipótese, mas não encontro outra explicação para determinadas atitudes, como a constante alteração das regras do jogo e a falta de verdade que houve para com equipas e marcas que investiram tão fortemente na modalidade", acrescenta.
Quanto ao balanço das provas até agora disputadas, Jorge Petiz diz que "o que se passa no Nacional de Velocidade nem me merece muitos comentários, pelo que disse atrás. Trata-se de uma miscelânea de carros de diferentes idades e classes. Quanto a nós, temos procurado ter o nosso BMW 320D nas melhores condições dentro dos regulamentos. Apesar de considerar que não há por parte da Federação capacidade técnica para avaliar a legalidade de determinados carros, creio que as coisas nos têm corrido bem, pois o Alcides Petiz vai ganhando corridas na sua classe e está em segundo no campeonato".
26092001_APetiz_BMW.JPG (36090 bytes)
Alcidez Petiz no BMW 320D
As participações na Mazda Cup com o MX-5 e a nos Clássicos com o Porsche 911 RSR não é mais do que "uma forma de divertimento e de acrescentar retorno aos nossos patrocinadores, mas sem pretensões até porque nenhum de nós está, realmente, a disputar esses campeonatos a tempo inteiro".

A aposta na nova geração

Assim, a grande aposta da S. Conrado é mesmo o futuro. "Criámos a S. Conrado Júnior Team", esclarece Petiz, "para que a família continue ligada ao desporto, mas sobretudo porque penso que é importante para a formação dos meus filhos que, assim, têm no desporto e naquilo que o automobilismo oferece, uma forma de auto-disciplina e de amadurecimento. Não quero formar vedetas lá em casa, pois nunca foi essa a nossa forma de estar e a carreira deles há-de ser o que eles quiserem. Da minha parte terão sempre o apoio que lhes puder dar".

O certo é que o balando de dois anos no karting é altamente positivo. "O ano passado o Tiago sagrou-se campeão da categoria Juvenil e este ano ocupa a quarta posição na Júnior. Além disso, foi o único português a ascender este ano a uma final europeia na categoria, o que nos deixa muito orgulhosos. Quanto ao Pedro, compete na Intercontinental A, mesmo sem ter ainda idade para isso. A Federação autorizou-o devido à sua estatura. E mesmo assim, ganha corridas", lembra Jorge Petiz que não esquece ter visto o seu filho de 14 anos tornar-se este ano no mais jovem piloto de sempre a ganhar uma corrida da categoria rainha do karting nacional. No próximo ano, Tiago Petiz e Pedro Petiz manter-se-âo nas mesmas classes.

Resumindo, Jorge Petiz faz um balanço muito positivo da participação de uma das mais antigas equipas nacionais numa época onde, certamente, ainda estão por acontecer algumas vitórias e onde os pilotos da S. Conrado ainda têm hipóteses matemáticas de alcançar três campeonatos.

Dúvidas ou sugestões: geral@sportmotores.com
© SportMotores.com - 2001